segunda-feira, 29 de julho de 2013

CAUSAS DOS ATAQUES DE TUBARÃO EM RECIFE-PE



TUBARÃO: VÍTIMA OU VILÃO


Na semana passada a praia de Boa Viagem, no Recife, foi cenário de mais um ataque de tubarão a uma banhista de 18 anos. A paulista Bruna Giobbi estava curtindo a praia na segunda-feira, 22 de julho, quando foi surpreendida por uma tubarão e morreu horas depois no hospital. O incidente gerou muito discussão na mídia porque o ataque foi captado pelas câmeras de monitoramento da orla de Recife.

Mas o que deveria ser tratado de forma ampliada foi basicamente restrita a ferocidade do ataque e ao risco de nadar na praia de Boa Viagem. O que de fato o público precisa saber é  por que os ataques de tubarão ficaram tão frequentes em Recife?

O  litoral pernambucano é rico em tubarões Cabeça Chata, espécie agressiva que necessita subir os rios para se reproduzir e que num ambiente ecologicamente equilibrado não oferece nenhum risco a população. Prova disso é a ausência de ataques nas praias de Fernando de Noronha. Os ataques na orla pernambucana começaram a ocorrer após o fechamento dos rios que desaguavam no mar e a construção do Porto de Suape, que impediu o acesso dos tubarões aos rios e ocasionou um declínio na oferta de alimento. Famintos os tubarões começaram a se aproximar das praias e instintivamente acabam testando os banhistas e gerando incidentes horríveis.

Para o professor de oceanografia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e coordenador das ações do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), Fábio Hazin, a aproximação do animal é causada, principalmente, pela ação humana seja através da criação de portos ou da‘engorda’ das praias brasileiras. Em palestra na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o referido professor frisou que o tráfego marítimo e a atividade portuária são os principais fatores que atraem a presença dos tubarões à costa. Além disso,  a existência de canais facilita a chegada dos tubarões, que ficam forçados a mudar sua rota migratória e se direcionar para o litoral.  (SANTOS, 2013)


Depois da morte de Bruna Giobbi a mídia começou a pedir que os órgãos governamentais evitem os ataques através da interdição das praias ou do uso de redes para impedir a aproximação de tubarões.  Mas as duas opções não resolvem o problema porque tratam os tubarões como invasores e não como espécies pertencentes ao ecossistema. Além disso, a colocação de redes levaria a morte de muitos tubarões e ao desequilíbrio da cadeia alimentar do litoral pernambucano. Para o professor Fábio a melhor forma de controle dos ataques seria o monitoramento, captura, marcação e soltura em alto mar dos tubarões que se aproximam dos banhistas. Segundo o Especialista, depois de capturados e levados ao alto-mar os tubarões tendem a seguir para as profundezas das águas e raramente voltam à costa.

Como se vê os ataques de tubarão são ocasionados por uma ação humana que, de certa forma, os encarceram próximo ao litoral limitando a oferta de alimento. Para o problema não existe solução imediata, cabe aos governos locais buscar as alternativas mais viáveis que garantam o equilíbrio do ecossistema e o bem estar dos animais. Nesse caso os animais não são os agressores e sim as vítimas  da interferência humana no meio ambiente.

Como disse o Cacique Seatle,  em 1854, na carta ao Presidente Norte-Americano Franklin Pierce: “Tudo que fere a terra fere os filhos da terra.” 

Por: L. Gonçalo.

REFERÊNCIA:

SANTOS, Renata. Combate aos ataques de tubarão deve levar em conta ecossistema. In: ASCOM/UFPE. Disponível em: https://mail.google.com/mail/u/0/?shva=1#inbox/140129bca58d490a. Publicada em 24/07/2013. Acesso em: 28/07/2013.

Foto: Maria Eduarda Barbosa


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